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Nas profundezas das Minas de Sufokia se escondem os mais distintos ladinos. E o mais famoso deles não seria uma exceção! Por isso, foi completamente natural que os detetives Lim e Sommierseco acabassem chegando lá, batendo às portas tentando pôr as mãos em Remington Smif...

O local estava mergulhado nas sombras. Na entrada de uma casa a porta tremia com o impacto dos golpes violentos que eram dados por fora.

Lim, não temos o direito...”

Craaaack! Ela cedeu. Duas silhuetas se econtravam no vão: um Enutrof de pele escura vestindo um casaco de chuva bege, uma tocha na mão e uma expressão de ansiedade sob seu velho chapéu marrom. Seu bigode estava perfeitamente aparado. Ele estava acompanhado de um jovem Kilorf de pelo curto e eriçado, o rosto abatido, com um corte na sobrancelha direita, o braço em uma tipóia e raiva no olhar.

“Agora que a porta está aberta, além do direito, temos o dever...”

O velho investigador balançou a cabeça diante da impertinência do cão, que já brandia sua tocha para o interior, como se estivesse mirando em alguém.

“Perdoe meus impulsos de Awaw, Sommierseco, mas... estou cheio de bater gentilmente na porta só para apanhar de ladinos que acham que viemos aqui para prendê-los!

  • E se essa não for a casa dele? Insistiu o inspetor experiente, seguindo os passos do outro.
  • Tá bom, parece que vai ser igual aos outros seis casebres que visitamos nessa manhã: delito de fuga do locatário, seguido da nossa perquisição do local.
  • É isso que você planeja colocar no seu relatório?
  • Sim, chefe!
  • Pfff...
  • Como quiser!”

Enquanto o detetive Lim não passava mais de um segundo olhando cada objeto, como um Molosso procurando uma pista, o investigador Enutrof examinava cada mínimo detalhe.

“Olha, Sommierseco, tem um pó aqui. Quer lamber pra descobrir que tipo de tempero é esse?

  • Muito engraçado, Lim. Seria bom que você não colocasse sua tocha aí, se não quiser que a gente termine torrado. Pelo menos você não teria mais esse seu corte de cabelo...”

Sommierseco se demorou em uma biblioteca, abrindo cada caderninho que encontrava. Lim abriu uma gaveta e um largo sorriso apareceu no rosto sofrido do Kilorf, que até deixou sua língua dependurada de animação.

“É a casa dele, Sommierseco. É a casa dele!”

O velho investigador colocou seus óculos para ler um caderninho antes de se juntar a ele, despretensiosamente. Orgulhoso como se tivesse acabado de encontrar um osso, Lim deu uma olhada no objeto que estava na gaveta antes de falar com seu colega: era uma arma de bolso shushutada. No meio do minirrevólver, uma pupila se mexia em um grande olho:

“Ah, o pessoal... O pessoal! Garanto que eu não vi nada! Não sei de nada... Eu estava aqui!

  • Isso não prova nada, Sommierseco afirmou, antes de voltar para a biblioteca.
  • Como assim, isso não prova nada? O Remington coleciona shushus, e principalmente as armas! Ladrou Lim.
  • Você está vendo alguma coleção? Eu só vejo um baixo calibre...
  • Ele tem razão! Apressou-se a arma. Ei... Isso não foi legal, cara!
  • Tenho certeza de que o Remi mora aqui!
  • Eu nunca disse o contrário.
  • Eu só disse que essa arminha não prova nada. Por outro lado (ele sacudiu o caderninho que estava segurando), essa é a prova de que ele esteve aqui!”

O Kilorf fechou a gaveta, abafando a tagarelice do shushu tenso, e foi até seu colega. Ele tomou o caderninho e começou a folheá-la. Conforme lia, seu expressão passou de incompreensão à zombaria e terminou em incômodo.

“Parece que nosso rei dos ladrões também é poeta”, declarou Sommierseco.

*****

Centenas de caderninhos, meticulosamente organizados, datados, preenchidos e assinados, continham os pensamentos, paixões e ensaios artísticos do Ladino incompreendido.

Aqui ele fala da sua adoração pela última bomba shushutada que ele roubou:

“Pexbomba, Pexbomba, você é minha Pexbomba!

Você explode tudo e qualquer inimigo tomba.

Pexbomba, Pexbomba, você é minha Pexbomba!

Com você, bebê, a festa é de arromba.”

Ele descreve como se sentiu quando foi atirado para trás das grades em um calabouço de Brakmar e ficou separado do irmão. O que não acontecia desde... seu nascimento.

“Ah, Grany, se você soubesse

Todo o mal que fizeram comigo!

Ah, Grany, se eu pudesse

Nos seus cabelos densos descansar...”

Lim ladrou de rir.

“A gente é obrigado a reconhecer... hahaha... ele até que tem talento!

  • Olha aqui, leia este, também não é tão ruim” recomendou ao mais velho, entregando a ele outro caderninho aberto.

“Uma psicopata ainda solteira

O rosto pálido, os cabelos para trás

E eu adoro isso.

Ela saca rápido, sem esconder.

Quando eu percebo, te juro, ela me mata

E é assim.

Tão rebelde, quando ela sai

Tão rebelde, eu quebro: boom! Estou morto...

Ela tem olhos de revólver, olhar que mata

Ela atirou de primeira, me atingiu, me ferrei...”

O detetive Sommierseco dá um tapinha no ombro do seu jovem colega:

“Mesmo se não o pegarmos hoje, pelo menos o sacana nos fez rir!

*****

No mesmo momento, a alguns kilokâmetros dali, Remington Smif cavalgava seu fiel dragoperu, avançando à toda velocidade. Seu irmão felino Grany agarrado no seu ombro. O Ladino sentiu um calafrio.

“O que é que você tem, maninho? Miou Grany.

  • Não sei. Senti... um tipo de suor frio. Uma sensação desagradável na nuca e nas costas.
  • Isso acontece toda vez que Maminou encontra um dos seus caderninhos...
  • Impossível, eu levei todos pra casa e guardei... POR SRAM! Meia-volta, Canabiche! De volta para as minas de Sufokia!!!

Apareça no calabouço Ladinobar das Minas de Sufokia até o fim do mês para enfrentar o Boss Smasher de novembro: Remington Smif:

De quebra: um título especial e uma ficha de recompensas!