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Livro D'Arca

Por Barlin 13 Julho 2015 - 23:53:25

Segue abaixo um livro que tenho escrito nos momentos oportunos. As imagens do mesmo podem ser conferidas lá na página da Aliança de Efrim, assim como o texto com a última revisão.

Postarei aqui o escrito antes das imagens, sempre adiantando um capítulo do post da página e algumas das correções.

Link do livro da página: Clique aqui

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Livro D’Arca
Essa história é baseada em fatos pessoais e alterados pelo mesmo motivo. Qualquer semelhança não é bem uma mera coincidência, mas sabe como é… a vida imita a arte.
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"Sábios os que, com toda sua bagagem, conseguem voar" - Szurke

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Sumário:

Prefácio
Capítulo l - Taberna D'Arca
Capítulo ll - Astrub
Capítulo III - Brakmar
Capítulo IV - A Guilda
Capítulo V - Entrevista com Corvo I
Capítulo VI - Pernaspra Q'T'Quero
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[blockquote]Prefácio
09 julier 972[/blockquote]
A tormenta, iluminada entre raios, mostrou o cerco de nuvens ao redor. Era algum tipo de pico, como qualquer paisagem digna dos deuses - não fosse pelos ossos por todos os lados, que dava um ar de abatedouro. Molhado - era a única sensação que atormentava minha espinha gelada - ou talvez fosse a sensação de olhos com o peso do mundo sobre meus ombros? Não sei dizer.

“O que busca, pequenino?”

Não sabia ao certo se foi um trovão ou uma voz que quebrou o som do vento.

Busquei pelo interlocutor, e me admirei com aqueles olhos lacrimejantes que me encaravam. O pico da montanha, na verdade, era um gigante.


“Uma vez busquei pelo amor… e apesar das aventuras que vivi, custou a vida de muitos, e o mundo como já fora conhecido.”

Uma melancolia assombrava aquela pobre voz.


Como alguém que tricota um cachecol sem saber em que parte está, me senti entre fios.

- O que você quer comigo, besta dos deuses?!


“Não sou fruto dos deuses, mas sim dos curiosos - e é isso que deve temer. O mundo está para mudar novamente. A nova era dos aventureiros está por dar início, mas agora com um peso muito maior. A escassez aumenta, e uma febre está porvir.”


Seria isso uma profecia? Que diabos tenho eu, um humilde Eniripsa, a ver com tudo isso afinal de contas?


“Hmm…. farejo seus pensamentos. Não ceda às incertezas. Saiba que a curiosidade terá trabalho com a Hutres - um vírus que a mata rapidamente, que faz os aventureiros cederem às mais primitivas vontades. Uma guerra… sim. Não estranhe, mas o mal que me criou é também a solução para o futuro do Mundo dos Doze. E se ele for eliminado, aí sim você terá motivos para temer.”


Entre ossos fica difícil saber o próximo passo. A próxima jogada. Visualizar um tabuleiro de Krosmaster é muito mais fácil de agir do que ali, entre cadáveres.


“Se fosse para te matar, já o teria feito - como pode ver. Você agirá como bem entender, pois não sou o dono do destino. Brigue com os deuses, se quiser - eu não tenho mais respostas do que isso.”


Um trovão rugiu, mostrando um dente quebrado e outro tão grande quanto a boca abaixo daqueles olhos. Ao meu redor, outras sombras estavam presentes. Tão vívidas como os cadáveres ou as pedras ao redor.

Despertei com a espinha ainda gelada, e encharcado - mas de suor - em minha cama.

A chuva começou lá fora, e já não sabia dizer se era noite ainda ou apenas um dia chuvoso. Resolvi arrumar as coisas para abrir a taberna. A chuva sempre trazia os kamas dos desabrigados - e alguns kamas extras nunca é demais.

...

[blockquote]Capítulo I - Taberna D’Arca
10 julier 972[/blockquote]
A taberna nunca foi grande coisa. Ficava nos confins de Mordidaldeia - um tanto isolada da civilização geral de Brakmar. Como aquele barco aos pedaços foi parar lá no morro ainda é um mistério.

Minha bisa certa vez mencionou que um corvoc se casou com a avó dela, e eles o puseram lá como dote de sua mão. Mas meu bisa apenas alegava que a idade veio cedo para ela, e suas memórias ficaram confusas. O emblema e o barco, de acordo com ele, foram presentes, pela nossa família ter salvo um mestre corvoc, e que poderíamos retornar lá usando o barco caso outra inundação viesse a ocorrer.

Heranças de família, sabe?

O problema é que fica difícil manter o local limpo e arrumado com tantos arruaceiros por aí. Ainda lembro de minha infância por lá, regada a história de meu antepassado, Szurke. Othello também ouvia elas, pois nossos velhos eram amigos - grandes aventureiros, em busca das Dofus.

De vez em quando, Othello ainda aparecia na taberna, mas mais para marcar fiado do que ajudar na cozinha em si. Me trazia os grãos para os pães e sementes de papatudo para as cervejas, mas nunca eram o suficiente para pagar as contas - um safado duas caras mesmo. Não era atoa que era um Zobal - só por isso eu não implicava tanto com a sua natureza.

Sempre conversávamos se voltaria a existir uma época de grandes aventuras como aquela dos nossos velhos. Dizem que eles conseguiram ver algumas das Dofus, mas não foram capazes de conquistá-las. Ogrest já dava sinais de vida, e muitos pereceram em lutas sinistras contra a ganância que os guiava.

Felizmente - ou infelizmente - nossos velhos decidiram se aposentar antes que sobrasse para eles. Conseguiram grande fortuna e criaram uma série de negócios em Brakmar e Sufokia. Mas o tempo passou, e aos poucos as nossas famílias foram perdendo terreno. Ainda mais depois do Caos de Ogrest, que obrigou os governos à dividirem as terras restantes.

A grande paixão deles era a taberna e a esperança de que as histórias dos antepassados nunca morressem e novas histórias surgissem no futuro. Algo como fazer brotar água do deserto, devo admitir, mas depois que me veio o sonho, não pude me conter.

“Isso… isso foi um chamado, fada!” - e assim o Othello ganhou mais uma marca de cicatriz para deixar de ser tolo e esconder com suas máscaras.

- Não sei… será que não devemos manter o negócio da família? Afinal, quem cuidaria disso tudo com a gente partindo? - um dia ainda entenderei o porquê de colocarmos tantos obstáculos em nossos sonhos…

“Mas você não gostaria de ver o que tem nas nações dos Doze? Imagina, nossos netos ouvindo histórias de nossas aventuras, assim como ouvimos as dos velho!” - e pensar que a poucos dias o maldito tinha me falado que seria o maior fazendeiro do Mundo dos Doze. Deve ter algum tipo de bipolaridade esse aí. humpf!

- É… isso pode ser interessante… Afinal, eles ficaram ricos na época deles! - Kamas… nunca é demais, sabem?

Tenho dúvidas quanto à pureza de você, fada. Com certeza em algum momento, um Enutrof pulou a cerca” - e foi assim que ele perdeu uma máscara. Aonde já se viu?!


Muitos clientes apareciam constantemente.

Tá, não tão constantemente assim…

Mas aquela semana foi o suficiente para dar vazão aos meus sonhos.

Claro, eu usava um bigode branco - preferia ser confundido com um Enutrof mão de vaca do que ser criticado pelas minhas asas e falta de modos, comum nos clientes. Acredita que falam que não tenho asas, mas sim cotocos?! E alguns ainda tem a pirraça de me chamar de “fada" vez ou outra! Claro, tenho a língua afiada e nem sempre me contenho em marcar alguns papatudos babões quando me apetece.

Lembro de um Iop entrar na minha taberna certa vez. Com seu chapéu molhado e roupas rasgadas, teve a pachorra de me pedir leite quente.

“Somos uma taberna, não um berçário!” - lembro de responder em um dos meus surtos.

Mas ele tinha fogo, me recordo bem. Acho que seu nome era Hakory, e esbravejou se preparar para um mundo cheio de imaginações e aventuras inesquecíveis. Pensei que a falta de álcool em seu pedido devia ser devido a algum tipo de restrição médica, então resolvi servi-lo - mesmo que a contragosto. Afinal, antes um Iop que pague que um Pandawa que bebe e dorme na sarjeta sem um kama para pagar.

Não me leve a mal se você for um pandawa… vocês realmente dão cor ao ambiente. Mas já tenho tantos nomes de pandawas em minha lista de caloteiros que prefiro evitá-los.

Nessa mesma noite, se encontrava um Ecaflip cheio de marra. Fez alguns jogos de apostas, algo envolvendo dados, e me preocupei com os demais sujeitos apostando antes de pagar. Não o expulsei na hora, mas deveria.

Um tal de Jotaká, um Sram maroto, também surgiu do nada dentro da taberna certo momento, e ainda me ameaçou por demorar para atendê-lo! Como se eu fosse obrigado à ver gente escondida. Humpf! Esses clientes estavam incrivelmente estranhos nessa noite.

Para melhorar ainda mais, logo apareceu um barril peludo para dar fedor ao ambiente. Minha noite já parecia completa - pura dor de cabeça - até que descobriram sobre meu bigode falso e cotoco ao marcar o beberrão que invadira o local.

Pronto, a zona estava feita. Era Pandawa jogando Iop para um lado, Ecaflip apostando se encontrava um Sram escondido no outro, e meu bar ganhando alguns buracos a mais - para variar. Enfim, tudo se acalmou, e logo reconheceram a capacidade uns dos outros.

Depois dessa confusão toda, uma coisa me intrigou. Todos, sem exceções, falavam sobre aventuras que se aproximavam para encher as tabernas dos mais diversos bardos e lendas.

Alguns falaram de se juntarem para se tornarem heróis - e até pensei que seria uma boa ideia. Mas sabe como é, difícil largar o negócio da família de uma hora para outra. Daria trabalho, sabe?

Luuk - um feca puritano com táticas de Iop - e Floyd - um Sram um pouco menos discreto - também deram as caras no local. Mencionaram que Mestre Dindin, em Astrub, estava recrutando aventureiros para ajudarem a por ordem na cidade e reconstruí-la depois de séculos.

Talvez esse fosse o chamado.

Não tardou para ficar sabendo na escassez de estanho, centeio e freixo no local. Creio que estava na hora, e Othello já estava de mala pronta quando concordei em partir para me aventurar um pouco.

“Você vai ver. Apesar da sua cor, tá na hora de pegar um solzinho, não acha, cotoco?!” - por pouco ele não perdeu outra máscara.


[blockquote]Capítulo II - Astrub
13 Julier 972[/blockquote]
Muitas pessoas se juntavam no local.

Estava tudo uma zona: com gente gritando por recrutamento para montarem grupos e se ajudarem; gente anunciando venda de recursos; outros falando que poderiam ajudar por um certo preço… vi até algumas guildas anunciando vagas para novatos a fim de desbravarem o mundo!

Madin Braziw, Kata clima, Bla Klotus, Bla Poulther, Alfa… muita gente se empenhava para as coisas funcionarem, e fiquei em dúvida se alguns deles não eram sombras daquele sonho.

Não demorou para encontrarmos a multidão perto de Mestre Dindin.

Era só um velho, sobre uma pilha de terra, que anunciava algumas intervenções do Culto de Ogrest no local. Falou das atuais atividades deles e muitos correram para resolver logo os problemas.

Alguns ajudavam nas construções decadentes - esqueletos de dias de glória que aos poucos eram carnificados e ganhavam vida, como o Frinksteam das história perdidas - mas a maioria mesmo queria lidar com as pragas e matar qualquer inimigo que impedisse o desenvolvimento local.

Ficar forte o mais rápido possível, para conseguirem enfrentar perigos maiores e ficarem mais fortes ainda - essa parecia ser a meta de todos num ciclo sem fim - e me senti um pouco envergonhado por não ter tamanha determinação.

Não foi a primeira vez, muito menos a última, que pensei em voltar à taberna para talvez aproveitar a fama dos apressados.

“Mas de que adianta voltar sem nenhum contato?” - agora as desculpas mudavam de lado.

Como as kamas estavam curtas em meus bolsos - aparentemente furados - logo arrumei um emprego temporário. Pizzaiolo, me lembro bem, foi o primeiro deles. Donal’Angelo, uma espécie única, por assim dizer, me mostrou a arte da pizza de larva. Tive que matar algumas para pegar suas carnes e logo estava em meio a ingredientes num ritmo frenético.

Outro emprego que pagava bem eram os murais dos mercenários. Conheci muito da cidade realizando pequenas tarefas, e a disputa não era tão acirrada assim entre os aventureiros. Muitos deles se preocupavam mais com os recursos e quantidade de monstros em si.

Quando descobriram a base de operação do Culto de Ogrest, nos confins do esgoto, tive a oportunidade de salvar uma jovem Cavaleira de Astrub, que prometeu me servir enquanto vivesse. Bryeni era o seu nome, e estava aprisionada com uma tropa inteira. Eu, Othello e outros aventureiros ajudamos a acabar com o culto no local, mas alguns dos inimigos ainda escaparam para sabe-se lá aonde.

Buscando pelos quatro cantos, fiquei surpreso, assustado, chorei, ri e me diverti com as diversas situações pelas quais passei. Um barco para uma ilha cheia de diversão me encantou, mas ainda não tinha kamas suficientes para pega-lo. Encontrei alguns tesouros vasculhando os quatro cantos de Astrub, o que ajudou muito a enfrentar algumas das pragas que assolavam a cidade até então.

Aproveitei o clima de aprendizado para conversar com diversos tipos de profissionais, e decidi começar minhas aventuras coletando recursos e plantando sempre que necessário, para que eles nunca faltassem para ninguém. Fora isso, minha primeira profissão de artesão foi marceneiro, visto que precisaria criar e manusear chaves - além da possibilidade de criar móveis para enfeitar minha sacola-segura. Com isso, fui capaz também de criar extensões para meus baús, possibilitando sempre manusear mais recursos para outras coisas.

Foi depois de tudo isso que o Coruchefe nos sugeriu que nos alistássemos a alguma nação para ajudá-las a se desenvolverem também, visto que a cada dia mais aventureiros chegavam no local e o espaço e os recursos diminuíam progressivamente.

Conversei com Othello, e resolvemos seguir para Brakmar por hora - pois já conhecíamos a região, o que tornava mais fácil a exploração.

“Devíamos montar uma guilda também, não?” - senti que ele havia sido afetado pela pressa dos outros aventureiros, mas achei melhor deixar para lá. Era lua cheia, afinal.



[blockquote]Capítulo III - Brakmar
22 Julier 972[/blockquote]
Estava preocupado, me lembro bem, pois não sabia do que se tratava a febre Hutres e me parecia perigoso um local com tanta gente. Se as profecias fossem verdadeiras, aquele seria um local perfeito para o começo do fim.

Não estava me preocupava muito até me alistar para a guarda de Brakmar. Depois de descobrir alguns infiltrados que passavam informações aos Riktus e abusavam de seu cargo, logo vi do que se tratava aquela febre.

Presenciei alguns aventureiros que, não sabia se era por falta de informação ou pura selvageria, já davam as caras nos cartazes de procurados. Alguns deles, por desmatar grandes áreas num curtíssimo período de tempo. Outros, por espalharem pragas por todos os cantos. Alguns calabouços eram desbravados enquanto a briga por um pedaço de terra surgia.

Cercas, outrora inexistentes, determinavam os locais de plantio. Alguns com espantalhos feios, que fiquei em dúvida se eram para espantar os corvos ou as pessoas. Conforme fui me adentrando mais a fundo nas nações, mais surpreendido fiquei com o modo que as pessoas lidavam com os obstáculos.

O minério abundante das terras de lava atraíram muitos dos que buscavam riquezas de um modo rápido, e vi a quantidade de kamas do mercado se multiplicarem rapidamente. Infelizmente, a quantidade de produtos ainda era escassa, e muitos dos produtos ficaram incrivelmente caros, tamanha a inflação que surgiu.

Quem diria que uma pizza de larva agridoce custaria 200 kamas?! Não foi atoa que muitos se dedicaram em aprender algum ofício para aproveitar a quantidade de kamas, e aos poucos ela foi absorvida pelo mercado.

Alguns postos de mercenários indicavam os problemas que poderiam ser encontrados pelas nações, e alguns dos Discípulos de Otomai mantinham o controle das pragas que assolavam a terra vermelha e ardente. Ajudá-los me rendeu bastante experiência como aventureiro e até algumas histórias. 

Mas as aventuranças minhas e de Othello estavam cada vez mais difíceis. Não era fácil explorar calabouços e seus tesouros com pouca gente, e logo víamos que grande parte dos aventureiros com guildas estavam bem mais à frente que nós.

“Fada, que tal nos alistarmos a uma guilda?”

Resolvi pesquisar, e logo descobri que muitas das guildas tinham a mesma meta. Isso me entristeceu, pois ser o mais forte o mais rápido possível mostrava uma grande fragilidade de ideais, e questionei muito isso com o mascarado. Durante nossas discussões, ele ainda insistia em trocar de máscara quando ficava nervoso ou com medo do que eu questionava.

“Mas e aí? Ficaremos sem nenhuma guilda? Como enfrentaríamos monstros lendários, como o Dragão Porco ou o Paparog?!” - suas máscara insana o denunciava…

É preciso ter calma. Não vê que muitos desses apressados estão correndo em gelo fino? Uma coisa que aprendi é que precisamos ser pacientes para irmos longe. Um passo de cada vez. Assim não ficamos exaustos, sem fôlego. É assim que percorreremos grandes milhas!

“Você viaja demais, Noa. Mas concordo contigo… que tal criarmos uma guilda nós mesmos?!” - continuava com a insanidade na cara, o que me preocupou um pouco, devo admitir…

Olha, pelo que vejo, seria a melhor opção. Muitos dizem ajudar os novatos a ficarem fortes… mas o que é ser forte? De que adianta a força num mundo decaído?

“Talvez… uma guilda de mercadores? Ficaríamos ricos facilmente!” - um brilho de kamas refletiu em seus olhos.

- Pera… você falando em ficarmos ricos?! E depois eu que sou neto de enutrof - Bwahaha!

“Nada disso - eu só quero ser o melhor no que faço, e ainda não desisti da ideia de ser o melhor fazendeiro do Mundo dos Doze. Mas para isso, porque não ter o auxílio de bons mercadores para tratarem de minhas mercadorias?”

Hmmm… tem razão. Mas veja bem como está esse local. Olha quantos tocos de árvores que um dia já foram gigantes! Agora me diga: de que adianta sermos fazendeiros, lenhadores ou herbolistas se não tivermos sementes para plantar e colher?

“Estou vendo aonde quer chegar… uma guilda de sementes!”

Não só sementes. Lembra das histórias que ouvimos nossa vida toda sobre grandes aventureiros e heróicas batalhas? De que adianta ter gente gloriosa cujas histórias se perdem rapidamente? E se nós trabalharmos com isso também? Afinal, a história é como uma semente: se ninguém plantá-la, ela não germina e se perde, sem deixar seu fruto no futuro!

“É duro admitir… mas tem razão. Então por onde começaríamos? Acho que se juntarmos nossas riquezas, conseguimos cadastrá-la no banco das guildas - mas por onde começaríamos a recrutar as pessoas?”

Viu os cartazes das eleições? Parece que o número de aventureiros aumentou tanto que querem candidatar alguém que absorva e guie esse fluxo. Mas ninguém sabe sobre os candidatos ou o passado dos governadores atuais. E se fizéssemos uma cobertura dos candidatos atuais de cada nação, falando sobre eles, suas intenções e futuro da nação? Afinal, ninguém tá dando muita bola para isso, mas são eles que alteram as leis que torna muitos procurados fora-da-lei!

“Ah vá…. você já tinha isso em mente, né não, safado?!”

- Bwahaha! Você realmente pensou que eu não estava cuidando do assunto? Você já foi mais sensível ao que penso, duas caras…



[blockquote]CAPÍTULO IV - A Guilda
03 agosto 972[/blockquote]
As eleições estavam distantes ainda, e faltavam alguns detalhes para acertarmos sobre a guilda que queríamos montar. Afinal, qual seria o nome? E nosso símbolo?

“Manicômio!” - porque Zobais precisam ser assim?

- Legal, mas… ninguém nos levaria a sério. Você por um acaso leria uma manchete escrita por gente intitulada “Manicômio”? Não importa o quão sério seja, só de ler o nome de quem escreveu, já espantaria muitos… Estava pensando em algo que tenha mais a ver com os nossos objetivos.

“Já sei! Tofu’s! Afinal, eles são uma ave que ajuda muito a espalhar as sementes que come pelo Mundo dos Doze.” - hmm… estou gostando.

- É uma opção, mas queria algo voltado para informações também…

“Essa é fácil: Corvos! Afinal, os corvos são usados para passarem informações à longas distâncias.”

- …além de serem conhecidos como sinal de sabedoria! É uma ótima ideia! E acima de tudo-

“Sim, são pássaros. Semeiam de acordo com o que comem!"

- E voam! Que inveja deles…

“Sem contar que alguns são carnívoros. hehehe”

- É, mas só dos corpos em campos de batalha. O que é perfeito também, pois não pretendo me aliar a nenhuma nação - caso contrário, seria difícil conseguir informações das nações inimigas.

“Mas… como faríamos para nos defender dos aventureiros assassinos e briguentos?!”

- É simples: respeito. Nós tentaremos conversar. Se não for possível, fugimos e denunciamos eles. Trabalhar com informações nos dará contatos, acima de tudo. Podemos não ficar protegidos o tempo todo, mas quantas pessoas você vê atacando corvos durante uma batalha?

“Depende, ouvi falar que em Kelba…”

- Cruzes, estamos longe de Kelba! Não precisa implicar, já disse que sou à favor da sua sugestão. Por sinal… de onde tirou ela?

“Pera… sério que você não sabe? Esqueceu do seu brasão?! E depois eu que sou o maluco…”

- Ma-as… Droga, como não pensei nisso antes?! Poderíamos usá-lo como bandeir-

“Pera, para… nossa guilda se chamará Corvos ou D’Arca? Não misturemos ainda mais, senão o pão não cresce, carvão”

- … mardito. Mas tudo bem… então o que sugere como brasão?

Foi então que ele pegou um pergaminho velho, de couro, e começou a desenhar. A tinta preta dançou pelo couro e, quando me dei conta, ele tinha terminado.

“Tá aqui. A pena preta, de corvo, utilizada para escrever as mensagens. E nada mais justo que um pergaminho de couro para enviá-la para onde quer que precise viajar.”

- Não sei se poderia ter feito melhor. Tem vezes que você me assusta…

“Mas ainda temos um problema. Duvido que só nós dois conseguiríamos uma entrevista com o governador de Brakmar”.

Fato. Estávamos só os dois já voando com asas de corvos que nem tínhamos. Precisávamos recrutar mais corvos para espalhar a notícia e anunciar nossa existência. Mas, como?


Começamos registrando a Corvos no banco de guildas. A norte do Zoão, eles tinham baús que as guildas renomadas poderiam usufruir, e o espaço era escasso nesses tempos. Além disso, davam títulos e até trajes que ajudavam a tornar as guildas mais conhecidas. 

Mas não era nada fácil recrutar pessoas. Tentamos primeiro gritar nas praças para quem passava - ideia de Othello, claro - mas poucos davam atenção. Juntamos alguns kamas e espalhamos cartazes pelos murais, mas ainda assim estava difícil.

Resolvi plantar algumas sementes enquanto fazia essas coisas. Foi então que, depois de algumas semanas, vi um Pandawa colhendo do que eu havia plantado.

- Ei! Vê se planta de volta! É difícil ter que ficar plantando para alguém colher o que plantei antes da hora.

“Opa, pode deixar. Estou ciente disso. Vi em um dos cartazes - precisamos plantar se queremos colher algo um dia! hehehe”

É… até que ele era legal. E estava sóbrio! Quem diria que encontraria pandas assim num dia de trabalho qualquer?

- Perdão… é que vi alguns aventureiros que não se dão ao trabalho de plantar. Sou Noa D’Arca - e desculpe pelos modos.

“Tifereth, prazer. Está tudo bem, eu já fui um aventureiro assim também. Mas acordei na sarjeta um dia e tinha um desses cartazes de ‘cuide do meio ambiente que ele cuidará de você!’, com algumas informações interessantes. Foi bom para curar a ressaca, e ainda aprendi a tomar cuidado com isso.”

Talvez fosse meu dia de sorte. Dei para ele um dos nossos cartazes, e ele adorou a ideia de fazer parte de uma guilda semeadora. Tinha amigos também que possivelmente teriam interesse, e quando vi, uma iop, Luneth, um sadida, Shaman, um Eliotrope, Interceptur e um sacrier, Rikimaru já se juntavam aos Corvos.

Com isso veio a primeira ideia. Fui atrás dos cartazes mencionados pelo Tife, e vi o que poderíamos fazer para ganhar reconhecimento no Mundo dos Doze - e novos membros.


“Aiai… consegui recrutar mais três pessoas hoje, Noa.”

- Legal…

“Pera… vai me dizer que tu ficou o dia todo aqui na sua sacola segura escrevendo enquanto eu tava ralando?!"

Não aguentei: peguei o que tinha escrito e mostrei bem de perto.

“Guia de economia básica? Guia do eleitor? Que porcaria é essa?!”

- Essa, meu caro, é a forma que vamos utilizar para ficarmos famosos. Muita gente não sabe como se aventurar nem as consequências que tem para cada ação que tomam. Farei essas matérias e colocarei em todo mural de Brakmar. Assim que puder, espalharei com os corvos para todas as nações. Ajudaremos as pessoas a se informarem para terem viagens seguras. E assim, conseguirei meu acesso aos governadores.

“E depois eu que te dou medo… Já quer dominar o mundo, é?”

- Não faço questão de dominar nada. Mas se quisermos fazer parte da história, o primeiro passo é escrever sobre ela. Os rapazes conseguiram recrutar mais dezessete pessoas enquanto distribuíam os cartazes.

“Caraca! Tá funcionando?!”

- Aparentemente…sim. Já estou pensando em escrever uma carta para o governador atual de Brakmar. Espero que dê certo…


[blockquote]Capítulo V - Entrevista com Corvo I [/blockquote]
Oferecimento Corvos de Efrim: Nós entregamos a sua mensagem.

Boa noite a todos!

Aqui quem fala é Noa D'Arca. São 18h e estamos aqui no centro do posto avançado de Brakmar, com nosso anfitrião, Sir Zoão!

Nossa banda de última hora, os Escaras!

E essa platéia maravilhosa para nosso PRIMEIRO programa documentado na história do Mundo dos Doze: Entrevista com Corvo!

Como entrevistado temos nada mais nada menos que ele, primeira vez governador de uma das nações mais polêmicas graças à tão falada febre "Hutres", Nomercy, de Brakmar!

- Olá, Nomercy, como está?

"Estou bem, Obrigado. E você?”

Bem também. Comecei agora uma fui... oi? O que, produção? Não sou o entrevistado? Está bem... posso voltar à entrevista, então?

*ah-han*

- O que você achou de sua experiência como governador? Como foi? O que esperava?

“Achei muito legal, Noa. Gosto de conversar com as pessoas e ajudar quem precisa. Sempre tive um lado político e influências. Eu não esperava nada, não tem como prever o que vai acontecer. Só fui lidando com o que acontecia, tentando sempre agir da melhor forma."

“Como é início da era das aventuras e fui o primeiro governador eleito dessa nova geração, tentei desde o começo usar uma política democrática, tendo contato com a nação e satisfazendo a maioria de seus desejos. A maioria, porque agradar todos os lados é complicado. hehehe”

- Que bom. Poderia citar uma coisa boa, que te surpreendeu como governador?

“Então, uma coisa boa que aconteceu… Bom, eu consegui MUITOS amigos, consegui ajudar muitas pessoas e foi legal ver a quantidade de gente que me apoiou."

- Interessante… agora, pode citar uma coisa ruim que te afetou como governador?

"Essa é fácil. HAHAHAHA"

“Uma coisa ruim foi a quantidade de pessoas falando mal de mim e inventando boatos, que afetaram a minha “popularidade” e “imagem”. Muitos simplesmente saiam espalhando boatos sem nem perguntar se era verdade."

"Nunca nego o que digo, e sempre respondo as mensagens que me enviam ou o que me perguntam.”

- As gralhas são uma desgraça mesmo. Os corvos são mais confiáveis para isso. hehehe

- Pode citar uma coisa que você mudaria se tivesse a oportunidade, durante o seu governo?

"Bom, mesmo sabendo desde início que não era possível, queria ter um meio mais fácil de arrumar o ecossistema. Foi muito complicado arrumá-lo, demoramos muito tempo, o que nos deixou um pouco atrasados.”

- Como assim atrasados? Em relação a que?

"Ficamos atrasados em relação as outras nações principalmente por causa da demora das eleições. Nossa eleição foi realizada duas luas cheias depois da de Amakna e Sufokia. Fora que ficar muito tempo sem as regalias do equilíbrio faz uma diferença imensa.”

- Complicado mesmo. Então... em conversas e discursos anteriores, você falou que adotou uma postura de proteção ao ecossistema. Porém vimos alguns territórios que, mesmo protegidos pelas vontades do Membro de Clã, pela lei Desobediência (art. 87), permaneceram um tanto devastados. Você acha que sua política foi o suficiente para proteger o meio ambiente? Ou o foco foi ativar as regalias da nação em equilíbrio?

"O foco inicialmente era os dois. Mas vimos que não deu muito certo, então tentamos focar somente nas regalias, e depois em proteção. Alguns recursos devastados são da própria nação.”

"Por exemplo, o trigo, aqui esta extinto, mas sequer existe local para plantá-lo. Piuis e Miaus são complicados de controlar, principalmente em zona inicial, mas volta e meia estamos plantando.”

- E a sua equipe? Vimos que ela foi alterada com uma certa frequência. O que achou do desempenho dela? Foi como o esperado?

"Com o que eu esperava não, mas tivemos algumas necessidades. Claro, tivemos altos e baixos, mas sempre agimos juntos tentando instaurar a ordem. O antigo Vice-Governador, o Cuanto, saiu do governo pois sacrificou seus recursos para colocar leis."

"Cada alteração custa QUINHENTOS pontos de cidadania. E ai ele saiu, mas depois voltou como tesoureiro. O antigo tesoureiro saiu porque decidiu mudar de nome: que agora é o Mayu. Depois, o Cuando saiu do governo pois teve alguns problemas pessoais e teve que parar. Então a equipe continua quase a mesma, não tivemos nenhum problema interno grande.”

- Uma pergunta polêmica agora: Como você explicaria os gastos do governo? Afinal, vejo os gastos na planilha mas, pelo menos como brakmariano, não entendo no que eles influenciaram.

"De início gastamos com Clima e Ecossistema, protegendo algumas espécies. Porém, não sei como não está no painel os gastos com ecossistema. Agora estamos investindo pesado em desafios, nas áreas que dão mais experiência, como Calamar, Mordidaldeia e vez ou outra em Escara."

- Hmmm… e como funcionam esses desafios? Se me permite perguntar - realmente estou por fora.

"Esses desafios as pessoas podem aplicar sobre seu grupo durante um combate, deixando ele mais difícil, mas desenvolvendo novas técnicas e aproveitando melhor a luta. Por exemplo, matar hordas. Investimos nos que dão mais experiência. Ou os mais fáceis para evoluir."

- Mas eles duram o dia todo? Ou você paga por desafio?

"Pago por cada desafio, e tem duração de 1 dia.”

- E as relações diplomáticas? Foram difíceis? Porque?

"Com Amakna e Sufokia foram fáceis. Todo mundo queria uma aliança. Mas com Bonta já foi mais complicado. Tivemos implementação de várias leis para controlar a invasão de bontarianos que destruíram o ecossistema.Tive diversas conversas com o governador de Bonta, o Kaboom, tentando resolver o que iríamos fazer. No meio tivemos até uma desavença. Mas tudo foi resolvido e optamos por uma aliança, pois fazia melhor a ambas as nações.”

- De fato, alguns Eniripsas mais estudiosos que eu disseram que esses ataques podem ter sido causa da febre "Hutres". Dizem que a pessoa, quando infectada, para de pensar e dialogar, partindo para a agressão física. Mas então... Oi? Produção? Perguntas na platéia? Claro, Claro, vejamos.

- Bom, desculpe a mudança no assunto, mas fui informado que está na hora das perguntas da platéia. Vejamos.... você aí, com a mão levantada.

[blockquote] IOP: Olá, sou Hakory, governador. Como fica a aliança com Bonta?[/blockquote]
"Bom, os maiores problemas eram os bontarianos desavisados com relação ao ecossistema e as agressões nas minas.”

- Opa, Aproveitando a deixa, o problema dessas agressões foi resolvido?

"Em grande maioria sim. Vez ou outra acontece, ultimamente tem MUITA agressão de Brakmarianos contra Brakmarianos. Eu particularmente acho isso desonroso. Sempre que me avisam delas eu tento resolver - tanto conversando como punindo, se persistir o problema."

[blockquote] Hakory: É complicado. Na realidade, isso vai muito da visão de cada um. Mas na teoria e lógica, sendo racional, sim, não é honrável. Algumas pessoas avaliam como “isso é algo que precisa ser feito com base de mérito, ou força”. Outros, olham mais pela questão de nacionalidade, no caso, nação. Eu olho assim também. Por isso concordo com tua visão, Nomercy.[/blockquote]
"Muita gente quer os recursos so pra si. Por isso as agressões independente da nação.”
[blockquote]
CRA se levanta: Olá, sou Mercúrio. Uma dúvida: não da para botar leis mais fortes contra agressões de membros da mesma nação?[/blockquote]
"Não, Mercurio. Todas relacionadas a isso já foram implantadas. Existe uma quantidade de recursos que podemos gastar com leis. Quando inicia o governo se não me engano se tem um limite de CINQUENTA. Cada lei gasta uma quantidade deles. E já gastamos todos, teríamos que tirar algumas leis para retornar os recursos. “

[blockquote] Mercurio: Pessoal não tem noção que a nação crescendo junto é melhor do que crescer sozinho.

Hakory: Alguns de Brakmar são amigos de Bonta e outras nações, e se aliam porque os de Brakmar atacam outras nações. Enfim, é uma história longa e complexa, com vários pontos de vista, se for analisar.[/blockquote]
"Todo mundo tem um lado egoísta. Só que alguns expressam mais que os outros."

[blockquote] Hakory: Sim, reflexo da sociedade atual.

Mercurio: A questão é que a nação não representa nada para muitos. E por isso esse tipo de coisa acontece.[/blockquote]
- Inacreditável… Quem diria que teríamos esse tipo de conversa nas perguntas da platéia? Tiro o meu chapéu para vocês!

- Bom, como nosso tempo está acabando, teria algo para dizer ao próximo governador de Brakmar, Sir. Nomercy?

"Bom, eu diria para que cuidem direitinho do Ecossistema e que pensem duas vezes antes de fazer qualquer coisa e que, principalmente, qualquer dúvida com relação a governo e funções, pode me perguntar!"

*Soam os Tambores*

- Mas oi? O que é isso?? SIM! Para finalizarmos o programa nós temos: Corvo pergunta! Preparado, Nomercy?

"Aiai, pode perguntar…"

*Tambores param*

- Com quantos brakmarianos fazemos um sufokiano virar bontariano e se casar com uma amakniana?!

"Apenas com um só, PORQUE BRAKMAR É BRAKMAR!”

- Por hoje é só, pessoal! Esperam que tenham gostado tanto quanto eu de nossa estréia. Em breve teremos mais uma "Entrevista com Corvo”! Até logo!


[blockquote]CAPÍTULO VI - Pernaspra Q'T'Quero[/blockquote]
Era um dia quente, para dizer o mínimo.

Ainda mais na área do Brejo Mortorrado, cheio de lama, carvão e buracos de lava tão quentes e profundos que não entendo como os espinheiros conseguiam crescer por lá. Ainda mais forte como eram, sempre foi uma interrogação para mim.

Andava sempre alerta, visto os diversos ataques que vinham ocorrendo de chafers na região.

"O que são chafers?” Alguns devem indagar, mas vou-lhes explicar:

Chafers são esqueletos de guerreiros que se foram, cuja maldição não os permitem descansar. Dizem que seu líder, um forte guerreiro, foi amaldiçoado pelos deuses ao tentar invocar a força dos vulcões contra eles. Com isso, os guerreiros que juraram lealdade à ele também foram condenados à continuar numa morte cheia de lutas, com seus corpos atacando qualquer um que resolvesse invadir os seus territórios.

E o que eu estava fazendo alí? Orabolas, de que adianta você querer montar móveis se não usufruir das melhores madeiras para isso? Eu sei que tem madeiras em outros lugares, mas eu queria as mais fortes. E para isso, é necessário algumas situações extremas.

Bom, voltando ao ocorrido: lá estava eu, pulando por buracos e sempre tentando evitar qualquer tipo de barulho, até que numa curva intrépida dei de cara com um Capitão Chafer, com seu chapéu vermelho e gestos furiosos.

~"AAAHHH!!"~

…e já tinha uma horda de chafers, logo abaixo do Capitão - que parecia fazer um discurso - me encarando, um tanto perdidos. Não sei se era porque não entendiam bulhufas do que o capitão falava, ou se estavam surpresos por um Eniripsa surgir atrás do capitão naquela hora.

Escutei o chacoalhar de ossos se mexendo e o barulho de uma espada sendo desembainhada vindo em minha direção, e tudo que tive tempo de fazer foi gritar o mais forte que podia uma das minhas Marcas para o capitão e sair correndo.

Corri sem parar mas, aparentemente, ninguém me seguia. Pelo contrário, parecia que ninguém havia me notado. Achei mais que curioso, como eniripsa tolo que sou, e resolvi averiguar o que estava acontecendo.

Ao chegar na esquina em que me deparara com o exército, escutei um grande chacoalhar de ossos. Espiei cuidadosamente e vi um par de pernas ossudas chutando e sapateando em cima do capitão! Aparentemente, a marca de utilizei foi tão forte que partiu o Capitão ao meio, fazendo com que ele perdesse o controle das próprias pernas!

Abaixo, parecia que os chafers não se aguentavam de pé de tanto... rir? Sim, aqueles ossos que batiam não era nada mais nada menos que os chafers se debatendo no chão. A cabeça foi chutada ao público e os demais chafers começaram a jogar Gobbowl com ela. Diferente de tudo o que me disseram, aqueles chafers não pareciam nada agressivos.

Virei as costas e resolvi voltar a minha busca, ainda sem saber o que pensar daquilo que havia presenciado. Quando me dei conta, escutei passos me seguindo, e um frio percorreu mina espinha.

"Seu cabeça de Iop, certeza que te viram e resolveram tirar satisfação"

Resolvi que precisava espiar quantos eram para saber se corria ou se lutava. Me virei e vi... pernas. Só um par de pernas ossudas, sem tronco e nem nada - aparentemente as pernas do próprio capitão. Andava tranquilamente atrás de mim - e até se virou, como se tivesse olhos, para ver se mais alguém vinha atrás de nós quando parei para ver quem me acompanhava.

Não sei bem o porque, nem como, mas essas pernas continuam me seguindo. Gosto delas, pois sapateiam alegremente e me alertam sobre coisas que nem sempre percebo. Uma raridade, para dizer o mínimo.

Isso tudo só comprova minha teoria: é nos piores lugares, nas piores situações que encontramos as melhores coisas. Essa é a história da Pernaspra Q'T'Quero, minha grande companheira com sua história um tanto sem tronco nem cabeça.

...
 
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Aguardando os próximos smile

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Atualizado. Capítulo II disponível. Bom proveito wink

Postarei o terceiro em breve. Verei se atualizo aqui com maior frequência também.

21/08/2015:

Atualizado. Capítulo III disponível.

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Capítulo IV postado. Espero que gostem.

Att. Noa D'Arca

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CAPÍTULO V - postado. Espero que gostem.

Alguns que acompanham o fórum não acharão muita novidade nele, visto que é baseado (leia-se editado) numa série de entrevistas que comecei a fazer no inicio do servidor. E sim, UM dos motivos de realiza-la é o explicado no Capítulo IV. Outros... bom, eu tinha tempo e disposição, assim como os participantes, e achei que seria divertido - o que, de fato, foi.

Pretendo postar parte das demais aqui também, mas não sei se postarei todas. A ideia é postar as principais, e essa, como primeira, foi bem marcante para minha pessoa. Não esperava, na época, ter tanta participação, e muita gente me abordou falando sobre elas - fosse para elogiar ou criticar.

Enfim, foi uma experiência muito interessante, e realmente seria legal ver mais gente fazendo algo do tipo poraí.

Att. Noa D'Arca

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Capítulo VI postado. Já fora postado antes, mas resolvi incluir no livro.

Houveram mínimas modificações do original, que pode ser encontrado aqui no fórum mesmo.

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