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Dentes da Mãe

Por [Ankama]WAKFU - ADMINISTRADOR - 19 Novembro 2019 - 16:00:00
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Tremendo como uma folha de Arvraknídeo, a velha Sadida esperava à porta, vestida com um penhoar verde desbotado. Seu cabelo recheado com rolos de cabelo de todas as cores dava a ela um ar de Spinho de Nataw. Suspiros curtos, mas francos, denunciavam sua impaciência...

As portas da carroça bateram com um certo exagero. Um pequeno prazer que os membros da milícia se permitiam quando chegavam ao local de um crime ou de outra infração.

“Senhora Grineva? Nós somos Tchilapatu e Birochet da brigada dos roubos e dozecidas. Foi você quem nos avisou sobre uma invasão de domicílio?

- Ah, até que enfim! Daria tempo de morrer mil vezes esperando vocês!

- Tenha calma, senhora, calma... Viemos o mais rápido possível. Qual é o problema? disse Tchilapatu.

- O problema? Me parece claro que...”

A velha senhora, com os braços cruzados sobre o peito, fez um movimento com a cabeça em direção ao parapeito da janela que dava para a entrada. Ali se encontravam uns pedaços do que deveria ter sido um vaso de cerâmica. No chão: terra espalhada e flores destruídas, intencionalmente pisoteadas

.

“Olhem para isso! Que bando de monstrinhos!

- Do que você está falando, senhora? perguntou Birochet.

- Mas enfim... Não poderia estar mais claro! Vocês vão entender logo, venham... Cuidado: acabei de passar o pano, tirem seus sapatos!”

Os dois inspetores trocaram um olhar que dizia tudo. Seria uma longa manhã. E das mais emocionantes... Tiraram os sapatos sem se preocuparem com esconder o aborrecimento. Birochet usava meias amarelas com bolinhas rosas, o que lhe rendeu umas piadas do parceiro.

Dentro, a decoração era antiquada. Bibelôs de porcelana apoiavam os guardapos bordados, cada peça surpreendentemente organizada. Sentia-se um cheiro de sabão e caldo de legumes. Na cozinha, sobre o fogão, um Ensopado de Papatudo agridoce sendo preparado. Pode-se dizer que havia um ar acolhedor e caloroso por ali. Algo como uma visita aos pais, um domingo de descendor...

A sadida abriu um armário, franziu a testa e soltou um pequeno grunhido, como se ela estivesse descobrindo o delito pela primeira vez.

“Aqui! Vejam isso! Um pacote de biscoitos novinho! Kwouinkiz. Como que por acaso... Só pode ser coisa daqueles lá!”

- Daqueles lá? Quem são “aqueles lá”? perguntou Birochet.

- Dou a minha palavra, mas estão fazendo isso de propósito? A milícia de hoje em dia... Não é como costumava ser!”

A velha senhora convidou os dois dozeanos a subir as escadas. Enquanto Birochet ia, Tchilapatu examinava a embalagem dos biscoitos mais detalhadamente. O pacote tinha traços de mordidas. Uma bela fileira de dentes, quase invisível de tão pequena.

“Hmm... Estranho...

- Tchilapatu, vamos! Vamos passar o dia todo aqui...” murmurou seu colega, irritado.

O andar ficava no nível da rua. Nas paredes do corredor que levava aos diferentes cômodos, vários bordados em tela pendurados. Os pequenos e adoráveis Awaws confortavelmente encolhidos nos seus cestinhos e as frases gentis, como: “Reconhecemos a casa da felicidade pelo seu perfume de risos”, “Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você” ou ainda “Não é gentil ser malvado”, completavam o já bem esboçado retrato da velha. Ela empurrou uma porta coberta com uma tira de um tecido rosa, que não sabíamos dizer se era uma peça de tapeçaria ou um tapete, e vimos que ela levava ao banheiro. Os bibelôs de porcelana estavam de volta, eram basicamente Miaws que olhavam com um tipo de angústia nos olhos. Eles também tinham colonizado a região e se estabeleceram no meio de uma miríade de frascos de perfumes e cremes de todos os tipos. A velha senhora tirou a cortina da banheira. Tufos de pelos, por todo o lado, profanando a imaculada louça branca.

“Olhem! Eles até tomaram um banho! E acham que eles deixariam a banheira limpa? Hunf! Mas esses tontos deixaram provas! Eu ponho minha mão no fogo que foi esse bando de Kilorfs juvenis que andam rondando o quarteirão durante a noite... São eles, eu sei!”

Tchilapatu abriu algumas gavetas procurando por uma pinça, depois usou-a para coletar um dos tufos de pelos. Ele o examinou sob a tênue luz da janela, os olhos apertados para se concentrar.

“Creio que você esteja enganada quanto aos culpados, senhora Grineva... Os Kilorfs têm os pelos bem mais espessos. Veja. Este aqui é fino. E cheira muito pior...”

O miliciano aproximou o tufo do nariz da velha senhora, que se afastou com um movimento brusco.

“– Aaah! Pare com isso, assim vai me deixar doente!”

Tchilapatu guardou a pista dentro de um pacote selado.

“Os Kilorfs jovens têm uma higiêne duvidosa, vocês sabem..., acrescentou a senhora Grineva

- Pode ser... Mas, suas mandíbulas são muito maiores do que as que fizeram isso aqui...”.

Tchilapatu apontou para um sabonete deixado no canto da banheira. Algumas marquinhas de dentes, parecidas com as encontradas na embalagem de Kwouinkiz, haviam sido cravadas no sabonete.

“Também as encontramos em um pedaço de queijo guardado no seu armário refrigerador, por todo o pé da mesinha que fica na entrada da casa, em algumas partes do veludo rosa da sua cadeira de balanço, em umas páginas do seu “50 tons de verde” e até mesmo...”

Tchilapatu pegou uma escova de dentes que estava num copo de vidro na pia e a usou para levantar uma calcinha pendurada em um cabide. Ali também o tecido estava estragado. A velha senhora, com as bochechas vermelhas de vergonha, correu para pegar sua roupa íntima e, então, deu um olhar ameaçador aos inspetores.

“Eu não vou permitir isso! Vocês não acham que já expuseram minha intimidade o suficiente?!

- Tenha calma, por favor. Meu parceiro não quis ofender, estamos aqui para ajudar você, tranquilizou Birochet.

- Perdoe-me se a constrangi, senhora Grineva, mas parece-me que você foi vítima de uma invasão de pragas. Está claro que esses pequenos roedores, tão fofinhos quanto temíveis, decidiram morar na sua casa. Podemos dizer que... o ambiente seja aconchegante. Tchilapatu lançou um breve olhar de reprovação ao seu colega.

- Roedores?? Mas enfim... Minha casa está impecável e se houver um só cacamundongo aqui, pode ter certeza de que meus bichinhos cuidarão deles!

- Não se trata de cacamundongos, senhora. São os ger...”

Um estrondoso “crack!” seguido de uma explosão ensurdecedora surpreenderam a todos, derrubando todos os vidros de perfume.

Sem pensar duas vezes, os milicianos desceram as escadas correndo, prontos para sacar suas armas, e saíram pela porta que dava para os fundos da casa. A grande árvore que dominava o jardim da senhora Grineva ardia em chamas, como se tivesse sido atingida por um raio. No entanto isso era impossível: o tempo estava fechado, mas não havia sinal de tempestade. Então, um grito, monstruoso fez o chão tremer mais uma vez, acompanhado de um ruído elétrico. Uma sombra gigantesca cobriu toda a casa, ameaçando os dois homens que ali estavam boquiabertos, com os olhos fixos no céu. Tchilapatu engoliu em seco.

“Mamãe Gerbela está muito brava...”

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'-'

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jogo pela Steam, e meu game perdeu todo os arquivos e não quer baixar mais os arquivos, o que eu faço?

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tenta acessar esse topico e faz o que os outros fizeram pra conseguir jogar.

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baixa launche ankama e tenta logar conta steam

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